La Petite Princesse

“Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”

Quando as estrelas começarem a cair… dezembro 24, 2009

Filed under: — Nathalia Galia @ 1:02 pm

 

 Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: “Digam o que disserem, o mal do século é a solidão”. Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias. Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos “personal dance”, incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida? Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão “apenas” dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós. Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: “Quero um amor pra vida toda!”, “Eu sou pra casar!” até a desesperançada “Nasci pra ser sozinho!”. Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis. Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega. Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, “pague mico”, saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta. Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois. Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: “vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida”. Antes idiota que infeliz!

Arnaldo Jabor

 

Ps: Me diz, me diz pra onde é que a gente vai fugir…

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Há Metafísica Bastante em não Pensar em Nada dezembro 3, 2009

Filed under: Poesias — Nathalia Galia @ 1:28 pm

Alberto Caeiro,  “O Guardador de Rebanhos – Poema V”
Heterónimo de Fernando Pessoa

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

“Constituição íntima das cousas”…
“Sentido íntimo do Universo”…
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados
das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

 

Ismália

Filed under: Poesias — Nathalia Galia @ 1:22 pm

Alphonsus de Guimaraens 
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…


 

Sem Mandamentos outubro 11, 2009

Filed under: — Nathalia Galia @ 3:16 am

Hino  pode ser um canto de louvor ou adoração, de uma nação, de um partido, de uma instituição pública ou instituto particular, agremiação e semelhantes. Mais que isso. Hino não é só o do país em que vivemos ou do time de futebol preferido. Estes casos são realmente os mais famosos vai, mas por que mesmo? Porque funcionam como um grito de guerra. Quando ele toca, a gente se preenche de alguma coisa que nos faz lembrar o por quê estamos cantando. Nós.  Trata-se de um ritual mágico ou um esquenta pré-balada. Tanto faz.. hino precede algo e nos traz coragem e reafirma aquilo que acreditamos. 

Cada um de nós deveria adototar um próprio hino. Único, individual. Chega a ser meio egoísta, algo bem nosso, e de mais ninguém. Um hino que nos desperte aquilo que temos de  melhor..e que por tantas vezes fica escondido sob camadas e mais camadas de camadas que não se sabe o por quê estão lá. 

 Hino pra mim, espinafre pro Popey, o Mickey pra Minie, música para a caixinha. Pó de pirinpinpin. Assim, assim. Sem porque, sem razão, sem fim. Puro sentimento, sem mandamentos.

“Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos
de rostos serenos, de palavras soltas
eu quero a rua toda parecendo louca
com gente gritando e se abraçando ao sol

Hoje eu quero ver a bola da criança livre
quero ver os sonhos todos nas janelas
quero ver vocês andando por aí

Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse
eu até desculpo o que você falou
eu quero ver meu coração no seu sorriso
e no olho da tarde a primeira luz

Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto
eu quero um carnaval no engarrafamento
e que dez mil estrelas vão riscando o céu
buscando a sua casa no amanhecer

Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
rasgar a noite escura como um lampião
eu vou fazer seresta na sua calçada
eu vou fazer misérias no seu coração

Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
pra escrever a música sem pretensão
eu quero que as buzinas toquem flauta-doce
e que triunfe a força da imaginação.

…eu vou fazer seresta na sua calçada
eu vou fazer misérias no seu coração

Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
pra escrever a música sem pretensão
eu quero que as buzinas toquem flauta-doce
e que triunfe a força da imaginação”

-Oswaldo Montenegro

PS: Brasil, Corinthias, Eu,…

 

Thiago dos Reis- Início do fim setembro 26, 2009

Filed under: Espelhos — Nathalia Galia @ 12:35 am

Um casal. Duas pessoas unidas por um fio chamado amor. Mas um dia, o fio se rompe. O laço se desfaz e o amor já não pode mais ser visto. Talvez porque ele nunca esteve lá. Ou porque esteve e não está mais. Tanto faz.

A maioria absoluta das pessoas sente dificuldades para terminar um relacionamento. Quantos casais arrastam a relação por semanas, meses, anos…

Mesmo quando a relação está ruim, tentamos mantê-la. Existem bilhões de pessoas no mundo e muitas delas podem ser felizes ao nosso lado. Mas não vemos isso, restringimos nosso campo de visão ao parceiro.

É tão bom sonhar e fazer planos de vida ao lado da pessoa amada quanto é ruim vê-los sumir em meio ao nada. Noites de conversa sobre onde morar, quantos filhos ter, as viagens, a lua de mel… Tudo em vão.

O trem da juventude é veloz…

A dor do fim não é por mim e nem por ela. É pela nossa casa de praia que me foi arrancada. É pela viagem à Bora Bora que não acontecerá mais. Fernando de Noronha, Veneza, Roma, Paris? No more, baby. A dor é pela demolição da casa com piscina que planejávamos. É pela lua de mel na Europa, é pelos filhos que morreram antes de nascer. Tudo desmorona como um castelo de areia.

Sem notar, agimos de maneira diferente com cada pessoa ao nosso redor. Somos carinhosos com uns, arrogantes com outros, ríspidos com outros. Parecemos intelectuais para uma porção de gente e palhaços para outra porção. Quando o relacionamento acaba, um desses “eus” interior morre. Nossa própria morte acontece dentro de nós. Isso dói.

Ao tentarmos salvar um relacionamento, tentamos salvar a nós mesmos, tentamos salvar a vida dos filhos planejados, salvar a casa que sonhamos e a vida a dois. Ignoramos que podemos recomeçar, aprender com os erros e traçar um novo caminho com mais acertos. Afinal, parece mais fácil continuar pelo caminho que já trilhamos, mesmo que este esteja errado.

Esquecemo-nos que somos autossuficientes e podemos trilhar o caminho que quisermos, quando bem entendermos. A hora de ser feliz é agora, sempre. Se somos jovens, devemos tomar atitudes. Haverá muito tempo para consertar os erros. Ao não tomar atitudes estamos perdendo tempo. É o tempo que nos fará falta um dia.

Thiago dos Reis é um relógio ambulante.

 

Venha, que o que vem é perfeição maio 21, 2009

Filed under: Espelhos — Nathalia Galia @ 4:38 pm

Desabafo.

Cada um por si e ninguém por todos.

 

 

Vamos festejar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos, covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo, nossa polícia e televisão
Vamos celebrar o nosso governo e nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas, as crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatus, Perséphone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza , vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas e os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça , a ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos e o voto dos analfabetos
Comemorar a água podre, todos os impostos, queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas, o trabalho escravo e nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação, todo o roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias. é a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome, não ter a quem ouvir, não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade, vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira, nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio, tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional (a lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade e comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja, a intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência e esquecer a nossa gente, que trabalhou honestamente a vida inteira                                              e agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração de toda nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação ,vamos celebrar o horror de tudo isso
Com festa, velório e caixão, está tudo morto e enterrado agora
Já aqui também podemos celebrar a estupidez de quem cantou essa canção

Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição

“I’m so happy ‘cause today
I’ve found my friends,
They’re in my head
I’m so ugly, but that’s ok
‘cause so are you yeaaahhhhhh!!!”

 

“E a nossa história … não estará pelo avesso assim sem final feliz …
Teremos coisas bonitas pra contar …
E até lá vamos viver … temos muito ainda por fazer …
Não olhe pra tras … apenas começamos …
O mundo começa agora … ahh!
Apenas começamos!” 

 

Legião Urbana- Perfeição 

 

Ps: Eu quero ir embora. Só a verdade me liberta..

 

Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain

Filed under: Pausa — Nathalia Galia @ 12:32 am

 

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O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

  • França, 2001
  • Duração: 122 min
  • LM-cor
  • Idioma: francês
  • Gênero: drama, comédia
  • Direção: Jean-Pierre Jeunet
  •  Direção de Arte: Volker Schäfer
  • Roteiro: Jean-Pierre Jeunet e Guillaume Laurant
  • Produção: Jean-Marc Deschamps
  •  Música: Yann Tiersen
  • Fotografia: Bruno Delbonnel
  • Desenho de Produção: Aline Bonetto

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain retrata a história da jovem francesa Amélie que teve uma infância difícil, pela morte de sua mãe e  falta de afeto de seu pai. Cresceu isolada das outras crianças e foi alfabetizada pela mãe que era professora. O pai, médico, achava que Amélie tinha alguma doença que fazia com que seu coração batesse aceleradamente,isolando Amélie do mundo. A solidão, isolamento e falta de atenção, influenciaram em peso no desenvolvimento e futuro de Amélie, que cresceu. Adulta, se  mudou do subúrbio e foi morar em Montmartre, onde foi trabalhar como garçonete.  Certo dia em seu apartamento, ela encontra um pequeno grande tesouro: uma caixinha com as lembranças da infância de um antigo morador. Ela consegue descobrir quem é ele e faz com que ele receba a caixinha, e ao observar sua reação, ela muda sua vida pra sempre. Amélie renasce, encontra um sentido para sua vida, e percebe que é capaz de fazer a vida das pessoas ao seu redor melhor. Por meio de pequenos gestos, ela passa a colorir a vida dos outros, e assim, encontra o seu grande amor.

São tempos difíceis para os sonhadores..

A história é simples e ao mesmo tempo fascinante. Combina um alto teor dramático com uma leve pitada de humor.Os diálogos são curtos e os olhares, longos . O filme mergulha fundo no interior da personagem e leva á uma reflexão sobre o valor das coisas mais simples, como um sorriso e uma recordação feliz- o que faz tudo valer a pena.  

Com direção,fotografia, roteiro, produção e elenco fantásticos, o Fabuloso Destino de Amélie Poulin passa uma mensagem belíssima, que nos toca e nos transforma em pessoas melhores -pelo menos um pouquinho melhores-.

Vale a pena.

Fabuloso!

 

PS: O medo do tempo que passa nos faz falar do tempo que faz